• CANDIDATO À ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

  • No mês de agosto de 2021, Daniel Munduruku formalizou seu nome para concorrer à cadeira número 12 da Academia Brasileira de Letras. Esta página foi criada para dar publicidade à candidatura trazendo informações sobre sua trajetória e biografia, suas obras e premiações, além de manifestações de apoio. A eleição ocorrerá no dia 18 de novembro.

     

    Daniel Munduruku é um premiado escritor e intelectual indígena, tendo se tornado uma importante voz para a preservação da cultura nacional ao incentivar leituras ricas sobre as tradições e vida dos povos indígenas e promover a valorização de sua cultura.

     

    É autor de dezenas de livros, a maioria voltada ao público infantil e juvenil, pelos quais recebeu diversas premiações, inclusive o prêmio Jabuti, maior prêmio literário do país. Sua obra chegou a diversos países e alguns de seus livros foram traduzidos para o inglês, o espanhol, o alemão e o coreano.

     

     

     

    Sobre a vaga, em entrevista ao Jornal O Globo, Daniel destaca:

     

    “A importância, mais que individual, é coletiva. Estou buscando dar mais visibilidade aos povos indígenas. A Academia é uma instituição muito importante para que essa visibilidade aconteça. Esse desejo que nasceu em mim de concorrer a uma vaga é também mais uma possibilidade de militância dentro da cultura brasileira. É um desejo que as pessoas conheçam mais nossa cultura, escrita, mas também que os povos indígenas não sejam mais vistos como seres do passado, mas do agora, contemporâneos. E, quem sabe, sejam vistos também como os guardiões de um futuro possível para o Brasil.”

  • Carta em apoio à candidatura do escritor Daniel Munduruku para ABL

    Expressamos nosso apoio à candidatura do escritor Daniel Munduruku à cadeira número 12 da Academia Brasileira de Letras.

     

    Daniel Munduruku é um escritor reconhecido por seus pares e pela crítica literária em razão da qualidade de seu trabalho. É autor de mais de 50 livros para crianças e jovens, alguns deles traduzidos para alemão, coreano, inglês e espanhol. Seus dois livros mais recentes estão entre os finalistas do Prêmio Jabuti, reconhecimento que vem se unir a outros 2 Jabutis, que ele recebeu em 2004 e 2017, ao Prêmio ABL de literatura Infanto-Juvenil, em 2008, ao Prêmio FNLIJ, em 2004 e 2005, à Ordem do Mérito Cultural, do extinto MinC, em 2006 e 2013, e ao Prêmio Vida e Obra, da Fundação Bunge, em 2018.


    Daniel Munduruku é um intelectual indígena, foi dos primeiros a escrever histórias inspiradas na mitologia e no modo de vida dos indígenas brasileiros para o público infantil, expandindo a cultura dos povos originários a todas as crianças brasileiras.


    A Academia Brasileira de Letras, desde sua fundação pelo escritor Machado de Assis, se propôs a ser uma casa da cultura. Casa que abriga não apenas escritores e poetas, mas também historiadores, sociólogos, juristas, gramáticos, linguistas, economistas, filósofos, jornalistas, artistas e pessoas com outras ligações com o estudo da cultura brasileira e sua produção. Há, portanto, representantes da diversidade de áreas e correntes de nosso pensamento, o que, infelizmente, não se repete na diversidade de nossas etnias.


    Num momento de destruição intencional da cultura brasileira em todas as suas formas de manifestação, é importante poder contar com instituições da sociedade civil que nos sirvam de luz e resistência. É isso o que esperamos da ABL, o abrigo da cultura brasileira e um de seus guardiões.


    Por esses motivos, defendemos que ao escolher Daniel Munduruku entre seus membros, a Casa de Machado de Assis estará se tornando mais rica e forte para levar à frente sua missão. Uma casa que preserva e estimula o talento e o valor da arte e da cultura brasileiras, sem se ater a vínculos de poder e influências.

  • Ailton Krenak

    Alberto Martins

    Alberto Mussa

    Alice Ruiz

    Amilcar Bettega

    Ana Miranda

    Andrea Del Fuego

    Antonio Prata

    Antonio Xerensky

    Augusto Massi

    Beatriz Bracher

    Bernardo Ajzenberg

    Bernardo Carvalho

    Bia Hetzel

    Bóris Fausto

    Bruno Zeni

    Caetano Veloso

    Carlos Ávila

    Carlos de Brito e Mello

    Carlos Henrique Schroeder

    Carola Saavedra

    Chico Buarque de Hollanda

    Chico Mattoso

    Chico Mendonça

    Christian Schwartz

    Cintia Moscovitch

    Claudiney Ferreira

    Cristiane Costa

    Diógenes Moura

    Eliane Robert Moraes

    Estevão Azevedo
    Eva Furnari

    Evando Nascimento

    Evandro Affonso Ferreira

    Everardo Norões

    Fabio Weintraub

    Fabrício Corsaletti

    Farréz

    Fernando Paixão

    Fernando Vilela

    Flávio Carneiro

    Francisco Bosco

    Francisco Alvim

    Giovanna Madalosso

    Heloisa Jahn

    Ilan Brenman

    Índigo

    Italo Moriconi

    Itamar Vieira

    Jacques Fux

    Jayme Serva

    João Bandeira

    João Carrascoza

    João Paulo Cuenca

    João Silvério Trevisan

    Joca Reiners Terron

    José Almino

    José Carlos Sibila

    José Luiz Passos

    José Miguel Wisnik
    José Roberto Torer
    José Santos
    Josélia Aguiar
    Julián Fuks
    Leandro Sarmatz
    Leão Serva

    Leo Cunha
    Lívia Garcia-Roza
    Luana Chnaiderman
    Lucas Figueiredo
    Luciana Hidalgo

    Luís Fernando Emediato
    Luis S. Krausz
    Luísa Gleiser

    Luiz Fernando Dezena da Silva
    Luiz Ruffato
    Marcelino Freire
    Marcelo Rubens Paiva
    Maria Esther Maciel
    Maria José Amorim
    Maria José Silveira
    Maria Valéria Rezende
    Mariana Ianelli
    Marilia Garcia
    Marina Colasanti
    Marta Garcia
    Micheliny Verunsch
    Milton Hatoum
    Mracelo Maluf
    Natália Timermam
    Natércia Pontes
    Nicolas Behr
    Ninfa Parreiras
    Noemi Jaffe
    Nuno Ramos
    Paula Fabrio
    Paulo Beti
    Paulo Henriques Britto
    Paulo Lins
    Paulo Mauá
    Paulo Scott
    Pedro Bandeira

    Pedro Bial
    Raimundo Carrero
    Reinaldo Moraes

    Ricardo Lísias
    Ricardo Ramos Filho
    Roberto Taddei

    Rodrigo Casarin
    Rodrigo Garcia Lopes
    Rogério Pereira
    Ronaldo Correia de Brito
    Ruth Rocha
    Ruy Espinheira Filho
    Sandra Espilotro
    Santiago Nazarian
    Schneider Carpeggiani
    Selma Caetano
    Sérgio Alcides
    Sergio Rodrigues
    Sidney Rocha
    Silviano Santiago
    Simone Paulino
    Susana Ventura
    Tarso de Melo
    Tatiana Salém Levy
    Teixeira Coelho
    Tércia Montenegro
    Thiago Mio Salla
    Tiago Ferro
    Vilma Areas
    Viviana Bosi
    Xico Sá

     

    Por um erro de troca de arquivos, no dia 12, por um curto período, constaram da lista nomes de pessoas que não assinaram a carta. O erro já foi sanado. Pedimos desculpas.
  • Nota Das Associações ABA, ANPOCS, ABCP e Sociedade Brasileira de Sociologia em apoio à candidatura de Daniel Munduruku à ABL

  • BIOGRAFIA

    Daniel Munduruku, nascido em 28 de fevereiro de 1964 em Belém (PA), é contador de histórias, escritor, professor e filósofo. Sua literatura é predominantemente voltada para o público infantil e juvenil e remonta à tradição oral indígena, compreendendo fábulas, contos e mitos de criação. Seus textos acadêmicos abordam principalmente questões educacionais, identitárias, culturais e linguísticas do povo Munduruku. Sua motivação para a escrita é um combate ao esquecimento da cultura indígena, uma forma de tradução dos saberes ancestrais de seu povo.

     

    FORMAÇÃO

    Formado em Filosofia, com licenciatura em História e Psicologia, Daniel lecionou durante dez anos e atuou como educador social de rua pela Pastoral do Menor de São Paulo.

    É Mestre em Antropologia Social pela USP - Universidade de São Paulo, Doutor em Educação também pela USP e Pós-Doutor em Literatura pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar.

     

    Ativista engajado no Movimento Indígena Brasileiro, reside em Lorena, interior de São Paulo, desde 1987. Cidade onde é Diretor-Presidente da ONG e selo editorial Instituto Uka - Casa dos Saberes Ancestrais, também é membro-fundador da Academia de Letras de Lorena.

     

    OBRA E RECONHECIMENTO

     

    Autor de mais de 50 obras, foi premiado com a Menção de livro Altamente Recomendável pela FNLIJ pelos livros “Coisas de índio” e “As serpentes que roubaram a noite”. Seu livro “Meu avô Apolinário” também foi escolhido pela Unesco para receber Menção honrosa no Prêmio Literatura para crianças e Jovens na questão da tolerância. A obra resgata parte de sua vida e do seu relacionamento com seu avô Apolinário, pajé da tribo Munduruku, que contava histórias dos espíritos ancestrais a quem chamava carinhosamente de guardiões.

     

    PRÊMIOS

     

    Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais por sua obra literária: Prêmio Jabuti CBL - Câmara Brasileira Do Livro, Prêmio da Academia Brasileira de Letras - ABL, Prêmio Érico Vanucci Mendes - CNPq, Prêmio Madanjeet Singh para a Promoção da Tolerância e da Não Violência - UNESCO, Prêmio da Fundação Bunge pelo conjunto de sua obra e atuação cultural, em 2018, entre outros. Muitos de seus livros receberam selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ.

  • LIVROS PREMIADOS

    O olho bom do Menino

    Ganhador do prêmio ABL de Literatura Infantil

    Meu vô Apolinário: um mergulho no rio da (minha) memória

    Menção honrosa no Prêmio Unesco – Madanjeet Singh para a Promoção da Tolerância e Não Violência
     
    Menção honrosa do prêmio Literatura para Crianças e Jovens na Questão da Tolerância

    Crônicas de São Paulo: um olhar indígena

    Prêmio FNLIJ Orígenes Lessa – “O Melhor para o Jovem” (2005)
    Altamente recomendável pela FNLIJ (2004)

    Coisas de índio – versão infantil

    Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro (2004)
    Altamente recomendável pela FNLIJ (2003)

    Wahtirã: a lagoa dos mortos

    Menção honrosa no 10º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas (2017)
    Altamente recomendável pela FNLIJ (2017)

    Vozes ancestrais: dez contos indígenas

    Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro (2017)

    Altamente recomendável pela FNLIJ (2017)

  • Críticas e Depoimentos

     

    “Conheci o Daniel no início da sua carreira como escritor, no final dos anos 1990. Acompanho sua trajetória profissional marcada pela determinação e coerência com que conduz o projeto de apresentar a cultura indígena por suas próprias vozes, por meio da linguagem artística. Os seus mais de 50 livros inauguram no país uma original e profícua conversa, de qualidade, para crianças, jovens e educadores sobre seu povo, o Munduruku.


    Ao escolher o caminho da literatura para atingir seu objetivo, e não o do livro didático, Daniel trouxe uma nova perspectiva para as narrativas ficcionais brasileiras.

    Contar histórias para crianças e adolescentes nas comunidades indígenas, pilar da preservação da herança ancestral, revela o bem social da educação de suas crianças na qual palavra e a conversa são práticas de vida. Sujeito dessa realidade, com um diálogo amoroso, Daniel escreve suas histórias expressando o respeito a todas as crianças e jovens e a esperança em um mundo adulto que reconheça o valor das diferenças para uma convivência solidária.

    Visitando o precioso acervo do seu patrimônio cultural, ele recolhe da sabedoria apreendida e da experiência vivida, histórias de rituais e mitos de seu povo e suas simbologias para compartilhar com as crianças de fora da aldeia. Mas também se preocupa com que cheguem aos leitores das novas gerações de indígenas, que saem das aldeias para viverem nos centros urbanos, de modo que se reconheçam nelas, se orgulhem das suas raízes e se sintam convidados a contar sobre sua cultura.”

     

    Elizabeth Serra

    Secretária- Geral da FNLIJ - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil

    “Essa obra descreve o dia-a-dia, visões de mundo, aspectos culturais, sociais e políticos dos povos indígenas em uma linguagem acessível e clara. O autor discute o que significa ser índio e destaca a importância de se valorizar as diferenças étnicas, culturais, sociais e linguísticas dos povos nativos brasileiros.”

     

    Janice Cristine Thiél

    especialista em literaturas indígenas brasileiras, doutora pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), professora titular de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)

    “A obra de Munduruku é intensa e variada, e seu trabalho se insere dentro da perspectiva

    educacional, seja na formação de leitores através da literatura infantil e infanto-juvenil, ou em sua participação no Movimento Indígena, o qual também motiva uma de suas importantes publicações, O caráter educativo do movimento indígena brasileiro (1970-1990), de 2012. Além disso, no que se refere a sua produção ficcional, é visível sua inserção no sistema literário brasileiro através de um trabalho de ruptura e transformação.”

    (...)

    “O narrador de crônicas, como o gênero sugere, fala de suas experiências. Ao imprimir

    uma dupla temporalidade, o narrador de Munduruku pode ser descrito tanto como o narrador da crônica, como o contador de estórias, recuperando a tradição das performances orais, nas quais o contador parte de sua própria experiência. É neste aspecto que o autor e o narrador se fundem, e as crônicas relatam a trajetória do escritor que migra do Pará a São Paulo, transformando “o arco em palavra” (2010: 43). Para Gerald Vizenor, escritor e crítico literário Anishinabe, o indígena passa a existir através das palavras e dos gestos oratórios: “As famílias tribais criaram a terra, os pássaros e os animais, as sombras e a fumaça, o tempo e os sonhos, com suas palavras e memórias sagradas” (1978: vii)”

     

    "Daniel Munduruku faz uma revisão da história e da filosofia ocidental para apontar que os índios não são nem selvagens nem primitivos, que as verdades são muitas. Ao relativizar a cultura, criticando o universalismo da chamada “civilização” ocidental, o autor aproxima-se de Montaigne que dizia que “cada um chama barbárie o que não é de seu uso” Montaigne, 2000, p. 20

     

    Rubelise da Cunha

    Professora Associada do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande e Vice-Coordenadora do Núcleo de Estudos Canadenses.

    "Através de seu personagem Carlos, Munduruku indica que muitas vezes esquecemos nossa ancestralidade, esquecemos alguns ensinamentos de nossos pais e avós que estavam mais próximos do mundo rural, no interior do país, e que viviam mais de acordo com a natureza. Com todos os problemas climáticos denunciados nos últimos anos, percebemos, irônica e tragicamente, que o que os indígenas do mundo todo dizem e praticam há séculos entrou na agenda política de nosso mundo globalizado.”

     

    Eurídice Figueiredo

    Doutora em letras neolatinas e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF)

    “O que a literatura de autoria indígena tem a nos oferecer está além do aprendizado das escolas, pois, segundo as suas tradições, os verdadeiros valores de uma comunidade, estão acima de tudo na experiência e na vivência dos mais velhos e posteriormente, na transmissão destes valores para as classes mais jovens. Agradeçamos então, com toda a humildade, a estes escritores indígenas, que agora nos possibilitam por meio de seus livros, aprendermos suas culturas repletas de sabedoria, respeito e diversidade”

     

    Rosana Carvalho da Silva Ghignatti,

     Professora de Literaturas de Língua Portuguesa da UNEB - Departamento de Ciência e Tecnologia – DCHT
  • Divulgue e manifeste seu apoio compartilhando esta página